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Resumos dos Posteres Interactivos do
I Congresso Luso-Brasileiro de Psicologia da Saúde
(Faro, 5-7 de Fevereiro de 2009)


C139

ANÁLISE DESCRITIVA DOS INDICADORES DE BEM-ESTAR NO TRABALHO EM TRABALHADORES DE EMPRESAS PRIVADAS


(...) Oldemar Nunes

Este estudo teve como objetivo, conhecer o grau de percepção de Bem‑estar no Trabalho (BET) de profissionais de vários segmentos. Bem‑estar no Trabalho é caracterizado por três dimensões: satisfação no trabalho, envolvimento com o trabalho e comprometimento organizacional afetivo. Participaram 53 profissionais; 40 do sexo feminino e 13 do sexo masculino. A idade média foi de 32,7 anos, com predominância de solteiros e formação acadêmica superior completo . A maioria não ocupa cargo de chefia. Coletaram‑se dados através de três escalas relativas às dimensões referidas – Escala de Satisfação no Trabalho, Escala de Envolvimento com o Trabalho e Escala de Comprometimento Organizacional Afetivo. Dessa pesquisa resultou em média de Satisfação no trabalho; média de Envolvimento organizacional e média de comprometimento organizacional afetivo e respectivos desvios padrão e freqüências. Estudou‑se as correlações dessas três dimensões de bem‑estar no trabalho. Concluindo‑se que existe correlação positiva e significativa entre Satisfação Geral no Trabalho e Envolvimento com o Trabalho. Além disso, os escores médios pesquisados foram comparados com as respectivas escalas a partir do teste t quanto à satisfação no trabalho, envolvimento com o trabalho e comprometimento organizacional afetivo a fim de verificar a probabilidade de erro calculada.





PÓS-GRADUAÇÃO

A PÓS-GRADUAÇÃO tem por objetivo a formação de pessoal qualificado técnica e cientificamente para o exercício das atividades profissionais, tanto de ensino como de pesquisa. A PÓS-GRADUAÇÃO se divide em duas áreas distintas com objetivos e exigências também distintas. Temos então a pós- graduação a nível STRICTO SENSU e a pós- graduação a nível LATO SENSU.

STRICTO SENSU
Expressão em latim que quer dizer “em sentido restrito”, palavra que se refere a algo no sentido mais restrito. A expressão stricto sensu aplica-se aos cursos de mestrado, doutorado epós-doutorado. São cursos de maior profundidade que os de especialização e geralmente mais longos. São reconhecidos pelo MEC e classificados pelo CAPES. Esses cursos recebem Diploma de Graduação.
As pós-graduações stricto sensu compreendem programas de mestrado e doutorado abertos a candidatos diplomados em cursos superiores de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino além do edital de seleção dos alunos (art. 44, III, Lei nº 9.394/1996.).
Os cursos de pós-graduação stricto sensu são sujeitos às exigências de autorização,reconhecimento e renovação de reconhecimento previstas na legislação - Resolução CNE/CES nº 1/2001, alterada pela Resolução CNE/CES nº 24/2002.
Os cursos de mestrado e doutorado são voltados, principalmente, para quem pretende seguircarreira acadêmica. O processo de seleção costuma ser mais rigoroso e, para concluir o curso, é necessária a apresentação de uma dissertação para o Mestrado e de uma tese para o Doutorado. Para que uma instituição ofereça um curso stricto sensu, é preciso ter reconhecimento do MEC.
Em uma análise mais detalhada sobre o curso de pós-graduação stricto sensu, que engloba os níveis de mestrado, temos o mestrado profissional (que prepara para o mercado profissional) e omestrado acadêmico (que prepara para o mercado acadêmico).
O curso de pós-graduação stricto sensu, que engloba os níveis de doutorado, está mais voltado para a formação de pesquisadores e que pretendam seguir carreira acadêmica (tornar-se pesquisadores e professores universitários). Todo doutor é mestre, no Brasil para se fazer o doutorado tem que ter o mestrado.
Os diplomas de mestrado e doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades brasileiras que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.
A pós graduação stricto sensu exige maior disponibilidade do aluno, inclusive com dedicação diária de estudo, além do horário das aulas. Um curso de pós-graduação stricto sensu a nível de Mestrado, exige que o aluno desenvolva um trabalho com alguma inovação à sua área de pesquisa, um projeto de pesquisa que resulte em uma dissertação. No doutorado, o aluno deve desenvolver um projeto de pesquisa que resulte em uma tese, que deve apresentarcontribuições à sua área de pesquisa.
Títulos
· Para quem faz um curso de nível superior, uma graduação, por exemplo, medicina, direito etc., o título recebido é de Bel. (Bacharel).
· Para os que fazem o mestrado, com dissertação defendida, o título recebido é de Ms. (Mestre).
· Para os que fazem o doutorado, com tese defendida, o título recebido é de doutor. (Doutor).
· Para os que fazem o pós-doutorado, o título recebido é de pós-doutor. (pós-Doctor).
Livre-docência é um título dado no Brasil por uma instituição de ensino superior, medianteconcurso público aberto, apenas para portadores do título de doutor. Este título atesta uma qualidade superior na docência e na pesquisa. O concurso é aberto por edital e o candidato deverá submeter-se a uma prova escrita e a uma prova didática, desenvolver uma tesemonográfica ou cumulativa sobre um tema acadêmico e defendê-la perante uma banca examinadora. Dependendo da área uma prova prática também é exigida. A livre-docência é regulada pelas Lei nº. 5.802/72 e nº. 6.096/74 e pelo Decreto 76.119/75 e pelo Parecer 826/98 do extinto Conselho Federal de Educação.
Nas universidades estaduais paulistas, ou seja, a Universidade de São Paulo (USP), aUniversidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP), a livre-docência é requisito para a candidatura a professor titular e o livre-docente recebe o título de professor-adjunto. Já nas universidades federais e particulares a livre-docência praticamente desapareceu. O doutor é professor-adjunto e pode, havendo vaga, prestar concurso para professor titular.
O título de doutor é EXCLUSIVO para quem faz o doutorado com tese defendida e jamais para os graduados em direito, medicina, engenharia etc., que são chamados de Drs. Nem mesmo juízes de direito, são Drs. exceto quando da tese de doutorado. Usa-se o termo de Dr. por respeito à função e cultura em nosso país...
LATO SENSU
Lato sensu – Expressão em latim que significa “em sentido amplo”, palavra que se refere a algo no sentido mais amplo. As pós-graduações lato sensu compreende programas de especialização e incluem os cursos designados como MBA - Master Business. Com duração mínima de 360 horas. No final do curso o aluno obterá certificado e não diploma. Para se fazer um curso de lato sensu a exigência é ter uma graduação, ou seja, são abertos a candidatos diplomados em cursos superiores e que atendam às exigências das instituições de ensino - art. 44, III, Lei nº 9.394/1996.
Os cursos lato sensu podem ser de ESPECIALIZAÇÃO (tem que possuir mais de 360 horas/aulas) ou de APERFEIÇOAMENTO (menos de 360 horas/aula). Em geral, tem processo de seleção mais flexível do que o de um mestrado e são voltados para o mercado de trabalho. Não há avaliaçãonem reconhecimento do MEC desses cursos, mas, para serem oferecidos, a instituição precisa ser credenciada pelo MEC. São voltados ao aprimoramento acadêmico e profissional e com caráter de educação continuada. Têm um objetivo técnico-profissional específico, não abrangendo o campo total do saber em que se insere a especialidade. Como os cursos Lato Senso não oferecem diplomas e sim certificados, o aluno não se torna HABILITADO para uma profissão, exemplo, quem faz a graduação em pedagogia e pós (Lacto Sensu) em psicopedagogia, não é Psicopedagogo e não pode trabalhar como tal, apenas fez um curso de educação continuada... O diploma que habilita o curso superior para o mercado profissional, continua sendo de pedagogia. A pós-graduação lato sensu costuma ter um horário mais flexível. Um curso de pós-graduação lato sensu exige que o aluno escreva uma monografia, que consiste em uma revisão do estado da arte em alguma área de pesquisa e não necessariamente apresenta contribuição inovadora à área. É uma prática ilegal cursos de pós graduação Lato sensu aceitar alunos finalistas em cursos em graduação, se aceitarem, podem apenas como alunos ouvintes.
Ms. Oldemar Nunes



                         
COMO SE FAZ UMA TESE

No passado a universidade era vista como elitizada, apenas alguns alunos conseguiam utilizar tempo integral para os estudos. Cursar a universidade significava disponibilizar de tempo e tolerância para ser reservado parte do tempo para os estudos como para os divertimentos, ou ainda às atividades nos organismos representativos.
Em diversas universidades americanas, um curso nunca comporta mais de dez ou vinte alunos. Existe um professor chamado tutor , que cuida da tese de pesquisa de um reduzido grupo de estudantes.
Já a universidade italiana é atualmente, uma “universidade de massa”. A ela chegam estudantes de todas as classes, saídos dos mais diversos tipos de cursos secundários. Para alguns cursos, inscrevem-se milhares de alunos. O professor mal conhece uns trinta mais assíduos.
Apesar de alguns alunos virem de famílias mais abastadas com melhores condições culturais, outros são alunos que trabalham. Estudantes que desiludidos da universidade, buscam outro tipo de formação mas que, mais cedo ou tarde, terão de submeter-se à obrigação da tese. Estudantes que só vez por outra comparecem às aulas e que, ao final da aula, desejariam falar com o professor, mas há uma fila de trinta pessoas. Estudantes a quem nunca se explicou como procurar livros numa biblioteca.
É permitido utilizar a ocasião da tese (mesmo se o resto do curso universitário foi decepcionante ou frustante) para recuperar o sentido positivo e progressivo do estudo, entendido não como coleta de noções, mas como elaboração crítica de uma experiência, aquisição de uma capacidade de identificar os problemas, encará-los com método e expô-los segundo certas técnicas de comunicação.
O QUE É UMA TESE E PARA QUE SERVE
Podemos dizer que uma tese consite num trabalho, com extensão média variando entre cem e quatrocentas laudas, onde o estudante aborda um problema relacionado com o ramo de estudos em que pretende formar-se.
Após terminadar todos os exames prescritos, o estudante apresenta a tese perante uma banca examinadora, que se ouve o comunicado do relator (o professor com quem “se faz” a tese) e do ou dos dois contra-relatores, os quais levantam algumas objeções ao candidato; nasce daí um debate que também envolve os demais membros da banca. Com base nas palavras dos dois relatores, que atestam a qualidade (ou defeitos) do trabalho escrito, e na capacidade demonstrada pelo candidato ao sustentar as opiniões expressas por escrito, elabora-se o veredicto da banca.
Consideram vários níveis de graduação, que podem ser atingidos sem teses; em outras, há um primeiro nível, que não dá direito ao título de “Doutor” e que pode ser atingido seja com a série de exames apenas, seja com uma pré-tese mais modesta; em outras, ainda, há diversos níveis de doutoramento, que requerem trabalhos de diferente complexidade.
Uma tese propriamente dita é reservada a uma espécie de supraformatura, doutorado, procurado só por aqueles que desejam aperfeiçoar-se e especializar-se como pesquisadores científicos. Esse tipo de doutorado possui vários nomes, mas doravante referimos a ele neste contexto pela sigla de uso quase internacional, PhD (que signaifica Phillosophy Doctor), Doutor em Filosofia, embora designe qualquer espécie de doutor em ciências humanas.
Já a Licenciatura, em suas diversas formas, encaminha o estudante para o exercício da profissão; ao contrário o PhD o encaminha para a atividade acadêmica, isto é, quem obtem um PhD quase sempre empreende a carreira universitária. Nas universidades deste tipo, a tese é sempre de PhD e constitui um trabalho original de pesquisa, com o qual o candidato deve demonstrar ser um estudioso capaz de fazer avançar a disciplina a que se dedica.
É importante “descobrir” algo que ainda não foi dito por alguém, ou seja, quando se fala em “descoberta”, em especial no campo humanista, não cogitamos de invenções revolucionárias, podem ser descobertas mais modestas, considerando-se resultado “científico” até mesmo uma maneira nova de ler e entender um texto. E há boas teses que não são de pesquisa, mas de compilação.
Especifica-se que numa tese de compilação, o estudante apenas demonstra haver consultado criticamente a maior parte da “literatura” existente e ter sido capaz de expô-la de modo claro, buscando harmonizar os vários pontos de vista e oferecerecendo assim uma visão panorâmica inteligente. Pode-se fazer uma tese de compilação ou uma tese de pesquisa; uma tese de Licenciatura ou de PhD. Uma tese de pesquisa é sempre mais longa, fatigante e absorvente; também uma tese de compilação pode ser longa e cansativa, mas em geral exige menor tempo e menor risco.
Escolher entre tese de compilação e tese de pesquisa prende-se à maturidade e capacidade de trabalho do candidato. Lamentavelmente e com muita frequência tem ligação também a fatores econômicos, considera-se que um estudante que trabalha dispõe de menos tempo, energia e situação econômica para se dedicar a longas pesquisas.

Como uma Tese pode servir também após a formatura

É importante identificar que a principal forma de fazer uma tese que se torne útil também após a formatura, é fazer dela início de uma pesquisa mais ampla, que prosseguirá nos anos seguintes, desde que haja oportunidade e interesse nisso.
Elaborar uma tese significa:
1- identificar um tema preciso;
2- recolher documentação sobre ele;
3- por em ordem esses documentos;
4- reexaminar em primeira mão o tema à luz da documentação recolhida;
5- dar forma orgânica atodas as reflexões precedentes;
6- empenhar-se para que o leitor compreenda o que se quis dizer e possa, se for o caso, recorrer à mesma documentação a fim de retomar o tema por conta própria. Trabalhar numa tese significa, aprender a por em ordem as próprias idéias e ordenar os dados é uma experiência de trabalho metódico, construindo um objeto que, possa também servir ao outros.

A escolha do Tema

Em algumas situações acontece que o candidato faça a tese sobre um tema imposto pelo professor. Situação esta que deve ser evitada. Exclui-se daí, obviamente os casos em que o candidatobusca o conselho do mestre e aquels em que a culpa cabe ao candidato, privado de interesse e disposto a fazer mal qualquer coisa para se ver livre dela o mais depressa possível.
Para estes exemplos , as regras para a escolha do tema são quatro:
1- que o tema responda aos interesses do candidato;
2- que as fontes de consulta sejam acessíveis;
3- que as fontes consulta sejam manejáveis;
4- que quadro metodológico da pesquisa esteja ao alcance da experiência do candidato.
O estudante é muito tentado a fazer uma tese que fale de muitas coisas. Teses desse tipo são perigosíssimas, pois ou elaborará uma enfadonha resenha de nomes e opniões correntes ou dará à sua obra um corte original e se verá acusado de imperdoáveis omissões. Quem garantirá portanto, que em seu silêncio esteja muita malícia e que as omissões substituem páginas críticas escritas alhures ou que o autor sabia escrever?
Numa tese panorâmica, o estudante se expõe a toda sorte de contestações possíveis. Poderá o relator, um um simples membro da banca, resistir à tentação de alardear seu conhecimento de um autor menor, não citado pelo estudante? Bastará que os membros da banca, consultando o índice, descubram três omissões para que o estudante trone-se alvo de uma rajada de acusações, que farão sua tese parecer um comglomerado de coisas dispersas. Se, ao contrário, ele tiver trabalhado seriamente sobre um tema bastante preciso, estará às voltas com um material ignorado pela maior parte dos juízes.
É considerado que entre os dois extremos da tese panorâmica e da tese rigidamente monográfica sobre variantes de um texto curto, existem muitos estados intermediários.
O termo “monográfico” pode ter uma acepção mais vasta que a usada aqui. Uma monografia é a abordagem de um só tema, como tal se opondo a uma “história de” , a um manual, a uma enciclopédia.
Fica mais prazeroso fazer uma tese panorâmica, sendo que antes de tudo parece aborrecido ocupar-se durante um, dois ou três anos sempre do mesmo autor. Mas deve-se ter em mente que fazer uma tese rigorosamente monográfica não significa perder de vista o panorama.
Resumindo, quanto mais se restringe o campo, melhor e com mais segurança se trabalha. Uma tese monográfica é preferível a uma tese panorâmica. É melhor que a tese se assemelhe a um ensaio do que a uma história ou a uma enciclopédia. Considera-se alternativas válidas somente para algumas matérias. Em outras fazem-se comumente teses teóricas ou experimentais. Há outras disciplinas onde é possível fazer os dois tipos de tese.
Tese teórica é aquela que se porpõe atacar um problema abstrato, que pode já ter sido ou não objeto de outras reflexões; natureza da vontade humana, o conceito de liberdade, a noção de papel social, a existência de Deus, o código genético.
Para um estudante com experiência científica necessariamente limitada, tais temas podem dar origem a duas soluções. A primeira é fazer a tese definida como panorâmica. A segunda solução preocupa mais, porque o candidato presume poder resolver, no âmbito de umas poucas páginas assuntos complexos. Mas suponhamos a hipótese de o estudante estar cônscio de ter compreendido um problema capital: dado que nada provém do nada, ele terá elaborado seus pensamentos sob a influência de outros autores. Transforma então sua tese teórica em tese historiográfica.
Fala-se que mesmo para o gênio, e sobre tudo para ele, nada há de humilhante em partir de outro autor, pois, isto não significa fetichizá-lo, adorá-lo, ou reproduzir sem crítica as suas afirmações; pode-se partir de um autor para demonstrar seus erros e limitações. A questão é ter um ponto de apoio. Os medievais, com seu exagerado respeito pela autoridade dos autores antigos, diziam que os modernos, embora ao seu lado fossem “anões”, apoiando-se neles tronavam-se “anões em ombros de gigantes”, e deste modo, viam mais além do que seus predecessores.
Para todas essas observações não são válidas matérias aplicadas e experimentais. A alternativa para a tese historiográfica é antes a tese experimental, pois há o direito de enfrentar experimentalmente uma questão a fim de obter um método de pesquisa e trabalhar em condições razoáveis de laboratório, com a devida assistência. Mas um estudioso experimental embuído de coragem não começa a controlar a reação de seus temas sem antes haver executado pelo menos um trabalho panorâmico, porquanto de outra forma se arriscaria a demonstrar algo já amplamente demonstrado ou a aplicar métodos que já se revelaram falíveis. Uma tese de caráter experimental, não pode ser feita com recursos inteiramente próprios, nem o método pode ser ineventado.
Diversas vezes essa escolha nasce de uma autêntica vocação e é difícil contestá-la. Outras provém da falsa impressão de que um autor contemporâneo é mais fácil e agradável. Diga-se desde já, que o autor contemporâneo é sempre o mais difícil. É certo que geralmente existe uma bibliografia mais reduzida e os textos são de mais fácil acesso. Mas ou se faz uma tese remendada, simplesmente repetindo o que já foi dito por outros críticos e então não há mais nada a dizer, ou se faz algo de novo, e então, apercebemos-nos de que sobre o autor antigo existem pelo menos esquemas interpretativos seguros aos quais podemos nos referir.
O autor antigo impõe uma leitura mais fatigante, uma pesquisa bibliográfica mais atenta, mas os títulos são menos dispersos existem quadros bibliográficos já completos. Contudo, se se entende a tese como a ocasião para aprender a elaborar uma pesquisa, o autor antigo coloca maiores obstáculos.
Se além disso, o estudante inclinar-se para a crítica contemporânea, pode a tese constituir-se na derradeira oportunidade de um confronto com a literatura do passado, para exercitar o próprio gosto e a capacidade de leitura. Por outro lado, o problema varia de disciplina para disciplina, por isso o conselho é trabalhar sobre um contemporâneo como se fosse um antigo e vice-versa. Será mais agradável e o trabalho será executado com mais seriedade.

QUANTO TEMPO É REQUERIDO PARA SE FAZER UMA TESE?

Pode-se dizer desde já: não mais de três anos e não menos de seis meses. Não mais de três anos porque, se nesse prazo não se conseguiu circunscrever o tema e encontrar a documentação necessária, uma destas três coisas terá acontecido: (1) escolhemos a tese errada, superior às nossas forças; (2) somos do tipo incontestável, que deseja dizer tudo; (3) fomos vítimas da “neurose da tese” fazendo e refazendo a mesma e não a cabando nunca.
Preferencialmente menos de seis meses porque, ainda que se queira apresentar o equivalente a um bom ensaio de revista com não mais de sessenta laudas, entre o plano de trabalho, a pesquisa bibliográfica, a coleta de documentos e a execução do texto passam facilmente seis meses. Pensa-se naturalmente não no tempo da redação definitiva, que pode levar um mês ou quinze dias, segundo o método adotado; pensa-se naquele período entre o surgimento da primeira idéia da tese e sua apresentação final.
Melhor seria escolher a tese por volta do segundo ano de estudos. A esta altura, o estudante já está mais familiarizado com as diversas matérias, inteirado do tema, das dificuldades, etc.
Portanto um bom prazo para dedicar-se à pesquisa e mesmo a viagens de estudo. Pode-se ainda escolher os programas dos exames com vistas à tese. É claro que, se se fizer uma tese de psicologia experimental, seria difícil conciliá-la com um exame de literatura latina por exemplo.
Nada impede que a tese seja escolhida antes. Nem depois, se se aceitar a idéia de gastar mais algum tempo no curso. Nada porém, aconselha a escolhê-la demasiado tarde, até porque uma boa tese deve ser discutida passo a passo o orientador, nos limites do possível.
A tese de última hora obriga o orientador a devorar rapidamente os capítulos ou a obra já pronta, e caso não goste, poderá criar dificuldades ao candidato na banca examinadora, com resultados bem desagradáveis.
Alguns casos que precisam ser solucionados em seis meses. É então que se deve procurar um tema capaz de ser aborado de maneira séria e digna em tão reduzido lapso de tempo.
Requisitos para se ter uma boa tese em seis meses seguem alguns preceitos básicos:
1- o tema deve ser circuncrito;
2- o tema deve ser, se possível, atual, não exigindo bibliografia que remonte aos gragos; ou deve ser tema marginal, sobre o qual pouca coisa foi escrita;
3- todos os documentos devem estar disponíveis num local determinado, onde a consulta seja fácil.

É NECESSÁRIO SABER LÍNGUAS ESTRANGEIRAS?

Algumas vezes aproveitta-se a oportunidade da tese para começar o aprendizado de uma língua estrangeira. Motivados pelo tema e com um pouco de esforço, começa-se a compreender qualquer coisa. Muitas vezes é assim que se aprende uma língua. Via de regra não se chega a falá-la, mas consegue-se lê-la com muita proficiência. O que é melhor do que nada.
O problema principal é: preciso escolher uma tese que não implique o conhecimento de línguas que não sei ou que não estou disposto a aprender. Muitas vezes escolhe-se uma tese que ignorando os riscos que se vai correr, portanto tem que se observar alguns dispostos:
1- não se pode fazer uma tese sobre um autor estrangeiro se este não for lido no original, pois nem sempre as tarduções fazem justiça ao pensamento do autor, e fazer uma tese significa exatamente redescobrir esse pensamento original, lá onde as traduções e divulgações de todo livro o falsearam;
2- não se pode fazer uma tese sobre determinado assunto se as obras mais importantes a seu respeito foram escritas numa língua que ignoramos;
3- não se pode fazer uma tese sobre um autor ou sobre um tema lendo apenas as obras escritas nas línguas que conhecemos.
Quem nos assegura que a obra decisiva não está escrita na única língua que ignoramos?
Pode-se concluir então que antes de estabelecer o tema de uma tese é preciso dar uma olhada na bibliografia existente e avaliar se não existem difilculdades linguísticas siginificativas.
Para tanto, não tendo o conhecimento em outras línguas e na impossibilidade de aprendê-las, a solução mais razoável é trabalhar sobre um tema especificamente pátrio, que não remeta a literaturas estrangeiras, bastando o recurso a uns poucos textos já traduzidos.

TESE “CIENTÍFICA” OU TESE POLÍTICA?

Logo após a contestação estudantil de 1968, fortaleceu a opnião de que não se devem fazer teses “culturais” ou livrescas, mas diretamente ligadas a interesses políticos e sociais.
Para alguns, a ciência se identifica com as ciências naturais ou com pesquisas em bases quantitativas: uma pesquisa não é científica se não conduzir mediante fórmulas e diagramas. Sob este ponto de vista, portanto, não seria científica uma pesquisa a respeito da moral. Evidentemente, não é esse o sentido que se dá ao termo “científico” nas universidades. Segue a definição a que título um trabalho merece ser chamado de científico em sentido lato:
1- O estudo debruça-se sobre um objeto reconhecível e definido de tal maneira que seja reconhecido igualmente pelos outros;
2- o estudo deve dizer do objeto algo que ainda não foi dito ou rever sob uma óptica diferente o que já se disse;
3- o estudo deve ser útil aos demais;
4- o estudo deve fornecer elementos para a verificação e a contestação das hipóteses apresentadas e portanto, para uma continuidade pública.
Sendo esse um requisito fundamental.
Para requisitos de cientificidade podem ser aplicados em qualquer tipo de pesquisa. Pode-se fazer uma tese política observando todas as regras de cientificidade necessárias; ela será científica na medida em que documentar, de modo público e controlável, a minha experiência e permitir a alguém refazê-la quer para obter os mesmos resultados, quer para descobrir que os meus haviam sido casuais e de fato não se deviam à minha intervenção, mas a outros fatores que não considerei.
O bom de um procedimento científico é que ele nunca faz os outros perderem tempo; até mesmo trabalhar na esteira de uma hipótese científica para depois descobrir que ela deve ser refutada significa ter feito algo positivo sob o impulso de uma proposta anterior. Se a minha tese serviu para estimular alguém a começar novos experimentos de contra-informação, obtive qualquer coisa útil.
Pode-se dizer que todo trabalho científico, na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento geral, tem sempre um valor político positivo; valor negativo tem toda a ação que bloquear o processo de conhecimento.
Surge também a dúvida em que será mais útil fazer uma tese de erudição ou de uma tese ligada a experiências prática, a empenhos sociais diretos? Autores antigos e célebres ou de intervenção direta atual sobre o aspecto teórico ou prático? Ora, estando já mergulhado numa experiência político-social que lhe permita entrever a possibilidade de fazer um discurso conclusivo, seria bom que se colocasse o problema de como abordar cientificamente sua experiência. Pode-se cultivar interesses políticos, mesmo fazendo uma boa tese histórica sobre os movimentos operários do século passado.
Há um modo sério e um modo irresponsável de fazer política. Um político que se decide por um plano de desenvolvimento sem possuir informações suficientes sobre a situação social é pouco mais que um truão, quando não um celerado e pode prestar-se a um péssimo serviço à causa política elaborando uma tese destituída dos requisitos científicos.
O risco de superficialidade existe especilamente para as teses de caráter político, e por duasrazões: (a) porque numa tese histórica ou filológica existem métodos tradicionais de pesquisa a que o autor não pode subtrair, enquanto para os trabalhos sobre fenômenos sociais em evolução muitas vezes o método precisa ser inventado; (b) porque muita metodologia de pesquisa social “a americana” fetichizou os métodos estatísticos-quantitativos, produzindo vastas pesquisas que não prestam à compreensão dos fenômenos reais.
Para transformar um assunto de atualidade em tema científico, devo delimitar com precisão o âmbito geográfico e cronológico do meu estudo. Terei de estabelecer os critérios de escolha da amostra, porque desse modo a imagem que dou do fenômeno reflitirá meus desejos ou temores, e não a situação real. Em seguida, cabe-me tornar públicos os parâmetros de definição, ou seja, tornar publicamente identificável o objeto do meu estudo. Como quer que seja, terei de explicar os meus critérios e explicar por que excluo certos fenômenos do campo de pesquisa. Obviamente, tais critérios precisam ser razoáveis e os tremos que uso terão de ser definidos de modo não-equívoco.
Para concluir, esse é um dilema falso, pois, é tão científico fazer uma tese sobre a doutrina filosófica quanto sobre política.

COMO EVITAR SER EXPLORADO PELO ORIENTADOR

Por vezes o estudante escolhe um tema de seu próprio interesse. Outras vezes, ao contrário, aceita a sugestão do professor a quem pede a tese.
Ao sugerirem temas, os professores podem seguir dois critérios diferentes: indicar um assunto que conheçam bem e onde não terão dificuldades em acompanhar o aluno, ou recomendar um tema que conhecem pouco e querem conhecer mais. Esse segundo critério é mais honesto, visto que o professor raciocina que acompanhado uma tese dessas, terá seus próprios horizontes alargados, e em geral confia no candidato.
Há casos específicos em que o professor está fazendo uma pesquisa de grande fôlego, para a qual são necessários inúmeros dados, e decide valer-se dos candidatos como membros de sua equipe de trabalho. Há aqui alguns incovenientes possíveis: (1) o professor está entusiasmado com seu próprio tema e violenta o candidato que, por seu lado, não tem o mínimo interesse naquela direção; (2) o professor é desonesto, põe os estudantes para trabalhar, aprova-os e utiliza desabusadamente o trabalho deles como se fosse seu.
Como evitar tais inconvenientes? O estudante, ao abordar um determinado professor, já terá ouvido falar dele, já terá entrado em contato com diplomados anteriores e possuirá, destarte, uma idéia acerca de sua lisura. Terá lido seus livros e descoberto se o autor menciona ou não seus colaboradores. No mais, entram fatores imponderáveis de estima e confiança.
Mesmo porque, não convém julgarmo-nos plagiados sempre que alguém falar de temas semelhantes aos da nossa tese. Por roubo de trabalho científico entende-se, sim, a utilização de dados experimentais que só podia ter sido recolhidos fazendo essa dada experiência; a apropriação da transcrição de manuscritos raros que nunca tivessem sido transcritos antes de você; a utilização de dados estatísticos que ninguém havia coletado; a utilização de traduções, que você fez.
Seja como for, o estudante deve verificar se, ao aceitar um tema de tese, está se inserindo ou não num trabalho coletivo, e pensar se vale a pena fazê-lo.
Ms. Oldemar Nunes




CONCEITOS COMPORTAMENTAIS
   CIENTÍFICOS E DEFINIÇÕES


As definições geralmente não interessam o leitor, mas é impossível conversar inteligentimente sobre ciência e pesquisa, sem usar termos técnicos e abstratos desconhecidos do leitor. Quando desejarmos compreender o universo da ciência, precisamos conhecer o grande vocabulário das expressões utilizadas. Pela terminologia ser complexa, se faz justificar a importância em definir e esclarecer os conceitos abstratos e técnicos tanto para alunos como demais leitores na medida em que forem aparecendo, objetivo deste trabalho.
Variável: é um conceito para representar uma classe de objetos que seja claro e bastante específico; também pode ser vista como um nome ou símbolo ao qual se atribui valores.
As variáveis categóricas são consideradas quado todos os membros da categoria são iguais, como por exemplo: sexo feminino. No momento que uma propriedade de objetos pode ser medida, ou seja, atribuído algarismos, quantidade, é possível que seja uma variável e esta pode assumir valores diferentes.
As variáveis experimentais são aquelas preparadas em condições experimentais e que são manipuladas.
As variáveis medidas são mensuradas com testes ou outro instrumento que produza resultados.
variável independente se difere da dependente pelo fato da primeira influenciar a segunda e ainda ser antecedente, enquanto que a dependente é conseqüente. Dentre as classificações, dependendo do campo de utilização, as variáveis podem ser psicológicas, sociológicas, econômicas, políticas, antropológicas e fisiológicas. Para tal classificação pode ser difícil devido a possiblidade de alguma variável pertencer a mais de uma categoria. Somente é possível estudar um fenômeno definindo e medindo as diversas variáveis envolvidas.
Relação: é um elo, uma ligação entre dois fenômenos, duas variáveis.
Estudo: diz respeito a todo e qualquer tipo de pesquisa, sejam investigações experimentais ou não-experimentais e todos os demais tipos de pesquisa. Para tanto, o experimento deve designar sujeitos para grupos experimentais e ainda manipular as variáveis independentes (uma ou mais por vez).
Dados: são evidências e significa alguma coisa dada ou aceita como dada em que se podem fazer inferências, tirar conclusões e não se limitam a resultados numéricos ou estatísticos.
Medidas: são estimativas quantitativas de uma propriedade ou característica de grupos ou indivíduos, sendo que estas obtidas em testes são chamadas pontos ou “scores”.
Pontos portanto, são os resultados obtidos em testes.
Um teste é um procedimento sistemático em que indivíduos são submetidos a estímulos construídos, chamados ítens.
Escala é semelhante ao teste, mas não denota competição como ao teste que é atribuído um sentido de fracasso ou sucesso; as escalas medem números diferentes, além de propriedades diversas. É ressaltado que o conhecimento científico só é possível porque o fenômeno varia. Sendo assim, variância é um termo estatístico que significa variabilidade de um determinado fenômeno, uma medida estatística que pode variar de modo sistemático (variáveis covariam) ou variância compartilhada de duas ou mais variáveis (convariância).
Probabilidade: é a tendência para uma afirmação, sem oferecer sequer uma certeza relativa, apenas um meio de reduzir a incerteza e que pode ser medida considerando o número de casos favoráveis (previstos) dividido pelo número total de casos (possíveis).

Problemas, hipóteses e variáveis

Problema é uma questão, uma sentença em forma interrogativa que evidencia a necessidade de uma discussão, investigação, decisão ou solução a partir da relação entre fenômenos ou variáveis. Contudo, alguns problemas não são considerados científicos e podem ser chamados problemas de valor ou de engenharia. O problema de valor refere-se a julgamentos (éticos ou morais) das coisas a serem avaliadas (bom, ruim, melhor, pior, mau, precisa, dever, certo, errado, etc) e o problema de engenharia pergunta “como” fazer alguma coisa. A ciência não tem como resolver tais problemas (de valor e de engenharia) porque não afirmam e nem implicam relações entre variáveis e não são cientificamente testáveis e respondidas. Um problema científico para ser melhor compreendido deve ter três critérios:
1) expressar relação entre duas ou mais variáveis;
2) o problema deve ser apresentado de forma interrogativa;
3) evidência real sobre a relação apresentada no problema.
A ciência é neutra e consiste em testar relações empíricas entre fenômenos ou variáveis que sejam observados, manipulados ou medidos.
Hipóteses: são enunciados conjeturais de relações que são testadas; são semelhantes aos problemas, mas ao invés de interrogativas, são afirmativas e também mais específicas, além de implicar a testagem das relações entre duas ou mais variáveis que podem ser entendidas (substituídas) pela estrutura “se-então”. As hipóteses têm como objetivo testar aspectos da realidade com um mínimo de distorção, sendo um avanço do conhecimento por serem testadas ou provadas como provavelmente corretas ou incorretas à parte dos valores e crenças do homem, independente do investigador e geralmente deduzidas da teoria. Para um estudo científico, faz-se necessário identificar clara e inteiramente as variáveis de uma hipótese; depois, ter um meio operacional de manipular ou medir as variáveis para que seja possível estudar as relações entre elas. Entretanto, algumas teorias não são testáveis e ficam além da abordagem científica, como é o caso das teorias freudianas, as quais não têm como ser testadas ou medidas.
Variáveis são propriedades que têm valores variados e que também são conceitos (termo geral que expressa idéia central) e constructos (mesmo que conceitos mas com terminologia específica utilizada por cientistas e que indica a natureza sintética as variáveis psicológicas e sociológicas).
As definições constituídas são definições explicativas como as de dicionário e utilizadas por todos, inclusive os cientistas, apesar de serem insuficientes para os propósitos científicos.
Definição operacional dá um signficado, é uma ponte entre os conceitos e as observações, comportamentos e atividades reais, para que as hipóteses possam ser testadas e as variáveis medidas ou manipuladas. Definição operacinal medida, por medir e observar uma variável.
Ms. Oldemar Nunes

Filosofia da Ciência, Introdução ao Jogo e suas Regras. Alves, Rubem.



Neste livro Filosofia da Ciência, o autor Rubem Alves salienta a necessidade de se desmistificar o cientista, considerado superior, por si, pela classe e pela grande maioria das pessoas comuns, dado ao seu trabalho em busca da verdade, do conhecimento e do desenvolvimento.da.ciência.
O livro é dividido em onze capítulos e faz que o leitor a pense sobre o mundo da ciência, em um raciocínio bem estruturado, lógico e didático. Ao longo dos temas tratados, são inseridos exemplos, questionamentos e jogos, em uma contínua interação com o leitor.

CAPITULO 1
SENSO COMUM E A CIÊNCIA I
Rubem Alves aborda a questão do cientista visto como um mito, sendo que todo mito é perigoso, porque induz o comportamento e inibe o pensamento, sendo este considerado um resultado engraçado mais também trágico da ciência, se os cientistas são especializados em pensar de maneira correta, os outros indivíduos são liberados da obrigação de pensar e podem sugestionarem-se ao que os cientistas propõe. A consigna é: não precisamos pensar, porque acreditamos que há indivíduos especializados e competentes em pensar.
Para o autor é necessário acabar com o mito de que o cientista é uma pessoa que pensa melhor que as outras, exemplifica que o fato de uma pessoa ser muito boa para jogar xadrez não significa que ela seja mais inteligente que os não jogadores. A aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum, onde só podemos ensinar e aprender partindo do senso comum de que o aprendiz dispõe.
O senso comum e a ciência são expressões da mesma necessidade básica, a necessidade de compreender o mundo, a fim de viver melhor e sobreviver.
Ao depararmos com perguntas e exemplos que levam a compreender as diferenças básicas entre senso comum e ciência. Pode-se dizer que o senso comum não recebe uma definição específica, mas apenas uma inferência a partir da definição de ciência, sendo esta uma "especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos". O senso comum seria "as receitas para o dia-a-dia, bem como os ideais e esperanças que constituem a capa do livro de receitas", ou, na qualificação dos cientistas, "pessoas que não passaram por um treinamento científico".

CAPITULO 2
O SENSO COMUM E A CIÊNCIA II
O autor sugere, ainda, e de forma enfática, o risco de que a especialização, aí entendida a ciência, se transforme em uma "perigosa fraqueza", de vez que ela, se mal aplicada, pode contribuir para uma atrofia do pensamento dos não-cientistas, além de limitar a visão do todo pelo aprofundamento do particular.
Em outras palavras, deve-se estar ciente de que tanto a ciência quanto o senso comum requerem criatividade para o invento de soluções que buscam a. adaptação do.ser.humano.às.revoluções.da.humanidade.
Não é curioso que os processos de ensino de ciência se concentrem mais na capacidade do aluno para responder? Você já viu alguma prova ou exame em que o professor pedisse que o aluno formulasse o problema? O que se testa nos vestibulares, e o que os cursinhos ensinam, não é simplesmente a capacidade para dar respostas? Freqüentemente, fracassamos no ensino da ciência porque apresentamos soluções perfeitas para problemas que nunca chegaram a ser formulados e compreendidos pelo aluno. O professor, para ajudar o estudante de forma efetiva, e sem atrapalhar a sua iniciativa individual, deve levantar as – mesmas perguntas e indicar os mesmos passos, uma vez atrás da outra.
O objetivo das perguntas é fazer com que o estudante focalize sua atenção no desconhecido.

CAPÍTULO 3
EM BUSCA DE ORDEM
Para Rubem Alves não importam as diferenças que separam o senso comum da ciência: ambos estão em busca de ordem, embora apresentem visões de ordem muito diferentes uma da outra.
Está presente o ponto de convergência entre ciência e senso comum, representado pela busca da ordem, exigência do homem, cientista ou não, desde sempre. Em se tratando da ciência, o estabelecimento da ordem se dá por meio de métodos, cuja sistematização pretende isolar o cientista da influência de subjetividades que possam corromper o "conhecimento objetivo da realidade".
Neste capítulo, o autor fortalece a idéia de que a ciência parte da necessidade de solução para um determinado problema, sendo a teoria ou hipótese de trabalho o produto final. A solução, no âmbito do método científico, usa um modelo mentalmente idealizado, hipotético e provisório, que, depois de construído, deve ser pesquisado e experimentado.
Assim, entendendo-se a teoria como algo continuamente passível de teste, os fatos objeto do trabalho científico são restritos àqueles decisivos para a confirmação ou negação das teorias apresentadas.

CAPÍTULO 4
MODELOS E RECEITAS
Neste capítulo o autor trata do estabelecimento da ordem, onde faz um questionamento, ao afirmar que "o homem foi capaz de manipular as estrelas, os planetas e os satélites". A manipulação, nesse sentido, ocorre no plano da imaginação, quando o cientista analisa uma questão a partir de um modelo.
Raciocinado por este prisma, o modelo representa um artefato construído de conceitos e que nos permite simular o que deve ocorrer sob certas condições.
Utilizando várias situações ilustrativas, o autor conclui que as mudanças de modelo são necessárias para a compreensão do problema e, novamente, ressalta que o progresso da ciência depende da ocorrência de anomalias, as quais forçam o trabalho científico da busca de solução.

CAPÍTULO 5
DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS
Para o autor qualquer pessoa se sente fascinada diante de um segredo que pode ser decifrado. Mensagens cifradas são um desafio a razão, um convite a que nos provemos a nós mesmos, a capacidade de decifração tem a ver com a vida e a morte.
Propõe formas para se decodificar mensagens cifradas, existentes em coisas aparentemente insignificantes e cujo sentido são um desafio à razão, à inteligência e à persistência do homem. Segundo o autor, a decifração requer uso de chaves que, uma vez identificadas, permitem conhecer o que se pretende. Aqui, o conceito do termo teleológico é introduzido para explicar a importância da finalidade da descoberta do sentido das coisas, pelo uso da pergunta "para quê?".
Da mesma forma, Rubem Alves nos faz refletir de forma bem profunda, envolvendo o propósito da própria criação máxima de Deus - o universo.
É significativo selecionar uma das mais fortes ilustrações utilizadas por ele que é a afirmação de Galileu (Il Saggiatore): "O livro da natureza está escrito em caracteres matemáticos", considerada, à época, "subversiva, sacrílega, digna da Inquisição". Essa referência a Galileu foi o motivo usado por Rubem Alves para explicar que, na decifração da natureza, a ciência usa hipóteses - ou perguntas - que requerem, para sua confirmação ou refutação,.a.observação.e.o.experimento.

CAPÍTULO 6
PESCADORES E ANZOIS
Resgatando a frase usada por Karl Popper como epígrafe de seu livro A lógica da investigação científica, "Teorias são redes; somente aqueles que as lançam pescarão alguma coisa", Rubem Alves, faz uma analogia, embora ressalvando a sua incompletude, entre o pescador e o cientista, as redes e as teorias, os peixes e os objetos de estudo, os anzóis e os métodos de pesquisa e investigação.
Leva-nos, assim, a entender o que não é significativo para o cientista não deve ser considerado no decorrer do seu trabalho, ou seja, deve se ter um foco bem definido, uma questão bem formulada, uma hipótese passível de teste, para que o resultado (a pesca) corresponda ao que o cientista (o pescador) buscou como solução para o problema (o peixe).
Mais uma vez, o alerta: o pescador, com freqüência, se arvora em dizer que conhece o mistério da lagoa por haver pescado um peixinho; não se sabe, entretanto, se ele utilizou a rede certa ou se haveriam diferentes tipos de peixe cujo melhorinstrumento.de.pesca..seria..o..anzol.

CAPÍTULO 7
A APOSTA
Aqui neste capítulo Rubem Alves retrata parte da história da ciência, citando a mudança do paradigma da Era Medieval, em que imperava o representante da ordem eclesiástica, para o qual a explicação dos fatos estava no passado. Com os fundamentos apresentados pelos filósofos naturais estabelece-se a preocupação de aprender a partir da natureza.
Esse aprendizado dá início aos métodos indutivo e dedutivo, de que a ciência se utiliza. Para Rubem Alves, a dedução é ineficiente para a ampliação do conhecimento, aplicando-se somente em questões de lógica, de raciocínio matemático; por outro lado, a indução, para progredir, requer informações sobre fatos, sendo o resultado da sua aplicação uma probabilidade.
Neste ponto, Rubem Alves deixa de falar apenas de fatos e razão, para afirmar que o método probabilístico tem um elemento de crença, por força, da repetição. Ressalta que curiosamente em harmonia com um teólogo medieval, Anselmo, afirmava: “Credo ut inttelligam” – creio para entender.

CAPÍTULO 8
A CONTRUÇÃO DOS FATOS
Aqui estamos de frente com uma análise bastante clara sobre o pensamento filosófico do positivismo, para o qual tudo se limita aos fatos. Em contraposição a esse movimento, Rubem Alves, concordando com Kant, sugere que ao se limitar a fatos os cientistas evitam os conflitos, de vez que as decisões podem ser tomadas por métodos precisos e objetivos. Porém, esse método não propicia o alcance da explicação pretendida. A simplicidade da correlação entre causa e efeito, de seu lado, também não oferece conhecimento, porquanto se trata de hábitos, automatismos e costumes, que levam o homem a aceitar as coisas como fatos.
Para o autor a grande esperança que marcou os próprios fundamentos de nossa ciência, de se criar uma linguagem que se dissesse apenas o que os fatos autorizam. E que caminho mais evidente para atingir tal objetivo, que o que parte dos fatos, dos dados, das amostragens? Andamos pelo caminho da indução, sugerido pelo empirismo e pelo positivismo.
Entretanto, o que o cientista procura é a integração dos fatos em um esquema teórico-explicativo, o que, em si, requer uma interpretação, uma iluminação.que..lhes....vida.

CAPÍTULO 9
A IMAGINAÇÃO
O autor se reporta a vários pensadores, cientistas e filósofos, para ilustrar e definir a questão do método e a sua relação intrínseca com a ciência. O método poderia ser o caminho que conduz à realização dos enunciados universais - as teorias, a partir das amostras, dos dados e dos fatos, na forma proposta pela indução.
Poderia também ser uma simples organização de dados, embora estes requeiram a imaginação do homem para lhes atribuir significado. Em outras palavras, os dados apenas fazem sentido quando são organizados na mente.
Com um exemplo simples, o autor nos faz observar diferentes coisas a partir de uma mesma fonte, levando-nos à conclusão natural de que tudo nada mais é do que uma questão de perspectiva, da forma como vemos ou analisamos os dados.
A perspectiva seria determinada pela imaginação e esta, por sua vez, seria o elo que une o homem ao objeto de estudo.
Nessa análise, Rubem Alves se permite contestar os pensadores que renegam a emoção que envolve o cientista quando investiga alguma coisa. Ele não crê que a ciência seja neutra, a partir do entendimento de que o trabalho do cientista exige uma grande dose de amor e paixão, presente nos "vôos da imaginação criadora".

CAPÍTULO 10
AS CRENDICES DA CIÊNCIA
Rubem Alves parte da sugestão de que a ciência é uma entre muitas outras atividades com que se ocupam as pessoas comuns, não existindo, assim, razão para orgulho. Entretanto, ao procurar a verdade, que pode e é testada. O cientista se distingue dos demais profissionais, pois nestes o discurso é função apenas do prazer.
Nessa linha, o autor compartilha a sugestão de Karl Popper, segundo a qual apenas a falsicabilidade da ciência, ou seja, a capacidade de ser testada pela experiência, podendo daí ser demonstrada sua falsidade, poderia ser aceita como credencial. Isso porque o falso é conclusivo, enquanto o verdadeiro não o é. Neste ponto, Rubem Alves questiona a razão dos cientistas não divulgarem, também, os seus fracassos.

CAPÍTULO 11
VERDADE E BONDADE
Aqui o autor traz exemplos e citações de outros autores, que, a princípio, colocam em cheque a afirmação de Popper sobre a falsicabilidade da ciência. Para Kuhn, em especial, poder-se-ia simplesmente deixar correr a história e observar o comportamento dos cientistas, para se compreender os mecanismos que permitem a tomada de decisão. As teorias estariam ligadas à biografia do cientista e ao destino de sua comunidade. Com isso, Rubem Alves conclui que o conhecimento não é suficiente para legitimar a ciência e que esta poderia redirecionar seu foco para a bondade, em vez da verdade. Poderia, simplesmente, voltar-se para a busca do alívio da miséria humana.
Pela estrutura de raciocínio desenvolvida, pode-se dizer que os estudantes iniciados na matéria, professores, pesquisadores e curiosos são os que poderão extrair mais proveito dessa obra, ao se aperceberem da capacidade de Rubem Alves de lidar, com simplicidade didática, de questões comuns e ao mesmo tempo de grande cunho filosófico.
O leitor, todavia, pode se julgar insatisfeito, por remanescerem dúvidas sobre o trabalho da ciência, ou, no extremo oposto, motivado a realizar novas leituras, com vistas à elucidação ou mesmo contraposição ao pensamento do autor.
Ms.Oldemar Nunes
REFERÊNCIAS
ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência. Introdução ao jogo e as suas regras. 10. ed. São Paulo: Loyola, 2005.






Definição de Valores, Moral, Eticidade e Ética, Claudio Cohen & Marco Segre.

Segundo o autor, o que temos certeza e somos unânimes é que uma pessoa não nasce ética; sua estruturação ética vai ocorrendo jun­tamente com o seu desenvolvimento. De outra forma, a humanização traz a ética.
Muitos crêem que a eticidade, ou condição de vir a ser ético, signifique apenas a competência para ouvir-se o que "o coração diz”. Essa é apenas uma característica de sensibilidade emocional, reservando-se o "ser ético" para os que tiverem a capacidade de percepção dos conflitos entre "o que o coração diz e o que a cabeça pensa", podendo-se percorrer o caminho entre a emoção e a razão posicionando-se na parte desse percurso que se considere mais adequada.
O ser humano não nasce com o con­ceito de família, pois este implica num modelo de significação e organização desse parentesco não obrigatoriamente natural, tendo portanto característica cultural. Da mesma maneira que não se nasce com a consciência do significado de família, o mesmo ocorre com os conceitos de valores, de moral e de ética, sendo eles introjetados a partir da experiência de vida.
O conceito de valor freqüentemente está vinculado à noção de prefe­rência ou de seleção. Não devemos porém considerar que alguma coisa tem valor apenas porque foi escolhida ou é preferível, podendo ela ter sido es­colhida ou preferida por algum motivo específico.
Rokeach (1973) define valor como uma crença duradoura em um modelo específico de conduta ou estado de existência, que é pessoalmente ou social­mente adotado, e que está embasado em uma conduta preexistente. Os valo­res podem expressar os sentimentos e o propósito de nossas vidas, tornando-se muitas vezes a base de nossas lutas e de nossos compromissos.
Para Barton & Barton (1984) o estudo da filosofia moral consiste em questionar-se o que é correto ou incorreto, o que é uma virtude ou uma mal­dade nas condutas humanas. A moralidade é um sistema de valores, do qual resultam normas que são consideradas corretas por uma determinada socie­dade, como por exemplo, os Dez Mandamentos, os Códigos Civil e Penal etc.,
Ética está representada por um conjun­to de normas que regulamentam o comportamento de um grupo particular de pessoas, como, por exemplo, advogados, médicos, psicólogos, psicanalistas etc. Pois é comum que esses grupos tenham o seu próprio código de ética, normalizando suas ações específicas.
A eticidade está na percepção dos conflitos da vida psíquica (emoção x razão) e na condição, que podemos adquirir, de nos posicionarmos, de forma coerente, face a esses conflitos.
Julgamos que um indivíduo possa ser considerado ético quando pos­sua uma personalidade bem integrada, ou seja, quando tenha maturidade emocional que lhe permita lidar com as emoções conflitantes, uma força de caráter, um equilíbrio de vida interior e um bom grau de adaptação à realidade do mundo.
A maturidade emocional, segundo Klein (1976), seria a capacidade do indivíduo de poder transformar, através de alguma elaboração, os desejos e as fantasias infantis em fontes de interesse e de enriquecimento da persona­lidade. A maturidade emocional também está vinculada à capacidade de suportar as frustrações, pois somente quando aprendemos a suportar a dor emocional é que podemos nos desenvolver.
Um indivíduo será ético quando puder compreender e interpretar o código de ética, além de atuar de acordo com os princípios por ele propostos. Caberá, entretanto, também ao indivíduo, a possibilidade de discordar do posicionamento ético, devendo responsabilizar-se frente ao Conselho, justificando uma atuação diferente da proposta pelo código.
Os códigos de ética representam a consolidação dos princípios éticos assumidos por uma sociedade. Considerando, entretanto, que os princípios são mutáveis, os códigos são habitualmente retrógrados com relação ao "pensar ético", recomendando-se conseqüentemente sua análise crítica e revisão periódica.
Ms. Oldemar Nunes



Como funciona uma pós-graduação Lato Sensu

Os cursos de especialização em nível de pós-graduação lato sensu presenciais (nos quais se incluem os cursos designados como MBA - Master Business Administration), oferecidos por instituições de ensino superior, independem de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento e devem atender ao disposto naResolução CNE/CES nº 1, de 8 de junho de 2007.

Os cursos de pós-graduação lato sensu a distância podem ser ofertados por instituições de educação superior, desde que possuam credenciamento para educação a distância.

Aprofundamento na legislação sobre pós-graduação lato sensu:

1 - Os cursos de especialização somente podem ser oferecidos por instituições de ensino superior já credenciadas que poderão oferecer cursos de especialização na área em que possui competência, experiência e capacidade instalada. A instituição credenciada deve ser diretamente responsável pelo curso (projeto pedagógico, corpo docente, metodologia etc.), não podendo se limitar a “chancelar” ou “validar” os certificados emitidos por terceiros nem delegar essa atribuição a outra entidade (escritórios, cursinhos, organizações diversas). Não existe possibilidade de “terceirização” da sua responsabilidade e competência acadêmica;

2 - Observados esses critérios, os cursos de especialização em nível de pós-graduação independem de autorização, reconhecimento e renovação do reconhecimento (o que lhes garante manter as características de flexibilidade, dinamicidade e agilidade), desde que oferecidos por instituições credenciadas;

3 - Os cursos designados como MBA - Master Business Administration ou equivalentes nada mais são do que cursos de especialização em nível de pós-graduação na área de administração;

4 - Apenas portadores de diploma de curso superior podem ser neles matriculados;

5 - Estão sujeitos à supervisão dos órgãos competentes, a ser efetuada por ocasião do recredenciamento da instituição, quando é analisada a atuação da instituição na pós-graduação (Ministério da Educação, no caso dos cursos oferecidos por instituições privadas e federais, bem como os ofertados na modalidade a distância; sistemas estaduais, nos casos dos cursos oferecidos por instituições estaduais e municipais);

6 - As instituições que oferecem cursos de especialização devem fornecer todas as informações referentes a esses cursos, sempre que solicitadas pelo órgão coordenador do Censo do Ensino Superior, nos prazos e demais condições estabelecidas;

7 - O corpo docente deverá ser constituído necessariamente por, pelo menos, 50% (cinqüenta por cento) de professores portadores de título de mestre ou de doutor, obtido em programa de pós-graduação stricto sensu reconhecido. Os demais docentes devem possuir, no mínimo, também formação em nível de especialização. O interessado pode solicitar a relação dos professores efetivos de cada disciplina prevista no projeto pedagógico, com a respectiva titulação;

8 - Os cursos devem ter duração mínima de 360 (trezentos e sessenta) horas, nestas não computado o tempo de estudo individual ou em grupo, sem assistência docente, e o reservado, obrigatoriamente, para elaboração de monografia ou trabalho de conclusão de curso. A duração poderá ser ampliada de acordo com o projeto pedagógico do curso e o seu objeto específico. O interessado deve sempre solicitar o projeto pedagógico do curso;

9 - Os cursos de especialização em nível de pós-graduação a distância só poderão ser oferecidos por instituições credenciadas pela União, conforme o disposto no § 1º do art. 80 da Lei 9.394, de 1996;

10 - Os cursos a distância deverão incluir, necessariamente, provas presenciais e defesa presencial de monografia ou trabalho de conclusão de curso;

11 - Farão jus ao certificado apenas os alunos que tiverem obtido aproveitamento segundo os critérios de avaliação previamente estabelecidos (projeto pedagógico), assegurada, nos cursos presenciais, pelo menos, 75% (setenta e cinco por cento) de frequência;

12 - Os certificados de conclusão devem mencionar a área de conhecimento do curso e serem acompanhados do respectivo histórico escolar, do qual deve constar, obrigatoriamente: I - relação das disciplinas, carga horária, nota ou conceito obtido pelo aluno e nome e qualificação dos professores por elas responsáveis; II - período e local em que o curso foi realizado e a sua duração total, em horas de efetivo trabalho acadêmico; III - título da monografia ou do trabalho de conclusão do curso e nota ou conceito obtido; IV - declaração da instituição de que o curso cumpriu todas as disposições da presente Resolução; e V - indicação do ato legal de credenciamento da instituição, tanto no caso de cursos ministrados a distância como nos presenciais;

13 - Os certificados de conclusão de cursos de especialização em nível de pós-graduação devem ter registro próprio na instituição credenciada que o ofereceu.

14 – Todos os interessados em curso de especialização em nível de pós-graduação devem pesquisar as instituições de ensino superior credenciadas da sua região. Existe um portal que oferece informações sobre as instituições de educação superior credenciadas e os cursos superiores autorizados: http://emec.mec.gov.br. Todas as instituições de ensino superior credenciadas que constam desse cadastro podem também oferecer cursos de especialização para os já graduados, sem prévia autorização nem posterior reconhecimento, nas áreas em que atuam no ensino de graduação.

(Ministério da Educação e Cultura)




Cursos a Distância no Brasil

CURIOSIDADES SOBRE O EAD

Em março de 2009 havia um total registrado de 5.636 polos de apoio presencial pelo Brasil vinculados a 145 Instituições para oferta do EAD credenciadas no ensino de educação a distância. Em março de 2009 havia um universo de mail de 760.000 mil alunos.
Ms. Oldemar Nunes